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Ausências Presentes

por a-normalidades, em 17.04.13

 

Há pouco tempo o meu avô foi-se embora.

A perda é uma coisa complicada... mais do que a morte, é a perda. 

Mas sobre isso falo um outro dia.

Desta vez quero falar de uma coisa feliz, no meio da perda. Sim! Porque... se por um lado não há nada que seja absolutamente bom, também não há nada totalmente mau!

 

Quando o meu avô morreu acabei por ter um papel ativo naquilo a que se chama "ritos fúnebres".

Uma das coisas que fiz, talvez uma das mais difíceis de entre as dezenas de coisas que se tratam, foi ir à morgue, "buscar" o meu avô, antes do velório.

A morgue é um sítio sombrio, de facto. Nem me considero muito sensível nestas coisas, mas a morgue é branca, cheia de portas, silenciosa, com um canteiro de plantas secas à entrada. A morgue é morte, e não se esforça nada por não ser. Então, quando estava à espera, e enquanto sentia uma dor aguda algures entre o estômago e a alma, vi um laivozinho de vida. Vi, perdida num muro, uma plantinha muito pequenina, igual à da imagem que postei acima. E, no meio daquela perda toda, vi vida! E só pensei: "ainda há vida por aqui". Lembro-me exatamente destas palavras me terem acorrido à mente. Não foi uma epifania nem nada. Até porque a morte continuava a dominar, e o caixão do meu querido avô ia passar aquelas portas uns segundos depois. Não foi uma coisa brilhante e comovente... foi simples e silencioso. Mas, por qualquer razão, fez-me respirar fundo, relativizar, e ganhar alguma força para o que vinha a seguir.

A seguir veio o velório e a seguir veio o funeral. Não sou uma simpatizante destes rituais, mas acabei por encontrar-me mais firme do que me sabia.

E passou-se! Tinha acabado.

E estava eu a regressar do funeral a pé, lá na terriola e, por acaso, olhei para o muro que estava ao meu lado. E sabem o que lá estava? Previsível não é? Aquela malfadada plantinha, que insiste em crescer em sítios inóspitos. Exatamente a mesma do dia anterior.

E então ri-me. E pensei: "ainda há vida aqui!".

 

E é isto. A perda é uma coisa terrível e cada pessoa tem que encontrar conforto no que consegue. O meu conforto esteve ali. Numa banalidade. Personificada numa planta que nasce nos sítios mais improváveis, menos propícios, menos repletos de vida, mais sombrios. E dá vida!

 

Não vos vou dizer que mudou a minha vida, nem que atenuou a minha perda. Não! Há dias melhores, outros piores. O caminho é longo, mas torna-se menos penoso se quiseremos que seja menos penoso e, sobretudo, se nos concentrarmos na vida. Se pensarmos que, definitivamente, ainda há vida aqui!

Não foi o suficiente para me fazer esquecer que o meu avô morreu, mas foi o que precisei para que, para mim, mesmo a última memória do meu avô não seja morte... mas vida!

 

Perdoem-me o tom de confissão e até partilha, e se acham que abordo esta questão com demasiada leveza. 

Mas é assim que a vejo. Em parte por causa daquilo em que acredito, em parte por causa daquela plantinha.

 

Tudo para retomar o que dizia ontem... a propósito de estar especialmente empenhada em ter um feliz aniversário este ano! 

É preciso celebrar a vida! É mesmo! Fazer o contrário é idiota.

 

Os 22 trouxeram-me muito. Trouxeram-me a minha licenciatura. O meu tempo na FNAC. E o tempo que estou a iniciar na outra tal grande empresa. E trouxeram pessoas novas e bonitas para a minha vida. E também reforçaram os meus laços com as pessoas maravilhosas que já me acompanham de perto há alguns anos... algumas delas, desde toda a vida. 

Também foi tempo de projetos falhados. De enormes desilusões. E de uma perda incontornável.

Os 22 foram vida, com tudo o que há para oferecer nela! E foram vividos com paixão!

 

E foi esta a minha última reflexão dos 22 anos. Amanhã é dia de 23! Amanhã é dia de festa! E depois, e depois, e depois. Mas amanhã é especial! :)

 

Onde quer que estejas,

e onde quer que eu vá... "Ainda há vida por aqui!".

 

Que seja sempre assim! =)

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publicado às 20:30



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